O anime teve
influências da arte “Ukiyo-e”, e do Manga, mas a sua
principal influência foram decididamente os desenhos animados da
Disney, que estavam a dar os seus primeiros passos, o que
influenciou os primeiros estúdios de anime no Japão, isto em finais
da década de 40, princípios da década de 50.
Aproveitaram o design gráfico, no entanto onde sempre se distinguiu
foi nas histórias tipicamente Japonesas, principalmente sobre a
cultura ancestral Japonesa como é exemplo o anime de 1958
“Hakuya Den”, ou de 1959 “Anju to
Zushiomaru”.
Também se começou a criar animes de fantasiosos como é o caso
“Shonen Sarutobi Sasuke”, que tinha partes históricas,
assim como magicas. Aqui começou a mistura da realidade japonesa
com a fantasia, muitas vezes baseadas em lendas Shintoístas ou
Budistas.
O primeiro anime de sucesso a surgir seria “Tetsuwan
Atom” (mais conhecido por Astro Boy), isto

em 1963, tento sido feitos 193
episódios, o que foi um feito para a época.
Surgiram outros animes com algum sucesso, como o foram
“Gigantor”, ou “Speed Racer”, mas foi na
década de 70 que começaram a aparecer vários sucessos, que levaram
o anime até aos EUA (na Europa demoraria mais tempo), como o foram
“Robotech”, “Space Battleship Yamato”,
“Manzinger”, “Devilman”, “Alps no
Shojo Heidi”, “Lupin III”, inclusive começou a
mistura entre animes, como é o caso de “Mazinger Z Vs
Devilman. Assim o anime tinha começado a sua conquista dos EUA, que
demoraria algum tempo, mas que hoje em dia se pode notar em força
com um grande número de eventos de anime e manga dos EUA.
É na década de 80 que começa a conquista da Europa pela animação
oriental, com sucessos nunca esquecidos, e alguns dos maiores
sucessos de sempre, como o foram: “Dragon Ball”,
“Voltron”, Saint Seiya”, “Mobile Suit
Gundam”, “Urusei Yatsura”, “Kimagure Orange
Road”, “Captain Tsubasa”. Surgiu a explosão da
qualidade e quantidade de filmes animados, como foi o caso dos
vários filmes dos Studios Ghibli” como “Kaze no Tani no
Nausicaa”,Vampire Hunter D, ou “Tenku-no Shiro
Rapyuta”, e o aumento da qualidade pode-se notar em mega
produções como foi o caso de “Akira” de “Otomo
Katsuhiro”, em que além de um clássico, lançou
definitivamente o anime como um artigo de qualidade, capaz de
ultrapassar os comics americanos, ou a banda desenhada belga
“Hergé”.
Efectivamente o que sempre distinguiu o anime da restante animação,
foi a qualidade das suas histórias. Os heróis são muitas vezes
trágicos (nem sempre saem vencedores, ou até vivos), e a tendência
para o cataclismo do planeta presente em muitos animes como
“Akira”, são características que puxaram cada vez mais
os fãs, aliando ao grafismo da animação, influenciado pela Disney
(como disse no principio do artigo), tornou-os mais apelativos.
Quem é que não fica deslumbrado com os olhos grandes das
personagens, e com um visual perfeito, ou seja, não há defeitos na
cara, ou no corpo, excepto quando postos de propósito para dar o
efeito de carácter. É curioso que os personagens bons têm sempre os
olhos grandes e redondos, e os maus os olhos pequenos, tal e qual
os olhos dos Japoneses.
Há outra característica curiosa no anime: O facto de serem quase
sempre as mulheres as heroínas, o que é completamente o inverso da
cultura japonesa, que só agora começou a abrir caminho para a
igualdade por entre sexos. Talvez o anime tenha sido uma influência
positiva para este facto.
A década de 90 foi a mais produtiva e a que tornou o anime num
fenómeno mundial, e que conquistou o mercado da animação,
ultrapassando totalmente os comics americanos.
Também trouxe uma nova realidade, as convenções de anime/manga, que
se expandiram por toda a Europa e como pelo mundo, conseguindo
muitas vezes ultrapassar eventos de “Star Trek”, e
criando laços especiais entre os fãs de anime, que efectivamente,
tornaram o anime cada vez mais poderoso. "Infelizmente" isto levou
à realidade japonesa do “Otaku”, que para quem não
conheça, aconselho a ler o bom artigo de André Pereira, presente
neste site.
Em termos de animes, esta década trouxe-nos sucessos como o
“Dragon Ball Z”, “Rurouni Kenshin”,
“Néon Génesis Evangelion”, “Cowboy Bebop”,
“Ranma ½”, “Sailor Moon”, “Vision of
Escaflowne”, “Trigun”, “Card Captor
Sakura”, ou os filmes que tiveram um grande sucesso, como
“Ghost in the shell”, “Ninja Scroll”,
“Princess Mononoke”, entre muitos outros filmes de
sucesso. Nota-se neste período um aumento de qualidade da animação,
como se pode observar em “Cowboy Bebop” ou em
“Brain Powerd”, como também uma aposta cada vez maior
nas Ost's (original sound tracks), que já vêm dos anos 80, mas que
nesta década é muito mais evidente como se pode verificar em séries
como “Saber Marionette J”, ou “GTO”. Assim
uma união cada vez mais forte entre a J-Music e o anime, duas
vertentes da cultura japonesa que se tem afirmado
internacionalmente.
Houve também um novo fenómeno que surgiu em 1997, o Pokémon, que
conquistou o mercado de forma ainda mais rápida que o “Dragon
Ball Z”. Devido aos video jogos tornou-se um dos
“produtos” com maior lucro de sempre, que veio de "mãos
dadas" com uma nova realidade, que considero infeliz: Uma menor
aposta na qualidade dos enredos, e mais em séries que demoram muito
tempo, e que produzam lucros o mais elevados possível, como é o
caso de Pokémon ou Digimon, em que basta inventar novos "bonecos"
para existirem mais episódios. Ou seja, é uma série que parece não
ter fim, e o fim será súbito, dependendo do seu sucesso.
A Internet é outra realidade que apareceu no final da década de 90,
que permitiu uma maior expansão do anime, principalmente com o
surgimento de Fansubs. Estas permitiram que muitos animes que não
saíam do Japão, ou que saíam tardiamente pudessem chegar mais
depressa à Europa e aos EUA, para além do facto de ter permitido a
existência de comunidades cada vez maiores de fãs de anime, que
pudessem falar entre si, independentemente do seu local. Eu estando
em Portugal, posso falar com alguém no Japão em tempo real.
Desta forma, a informação sobre anime chega mais facilmente, o que
permitiu um maior conhecimento, disponível para todos que tenham um
PC e ligação à Internet.